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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

As incríveis andorinhas do Ártico



  
  ANTIGAMENTE, acreditava-se que a andorinha-do-mar-ártica voava um pouco mais de 35 mil quilômetros para ir e voltar do Ártico até a Antártida. Mas estudos recentes mostram que esse pássaro na verdade voa muito mais do que isso

  Pequenos aparelhos de localização geográfica, que pesam menos que uma tampa de caneta, foram colocados em algumas andorinhas. Esses aparelhos mostraram que algumas andorinhas voaram em média 90 mil quilômetros numa viagem de ida e volta — a mais longa migração feita por um animal. Uma delas voou quase 96 mil quilômetros! Por que os números mudaram?

  Não importa onde as andorinhas comecem suas viagens, elas nunca voam em linha reta. O desenho acima mostra isso. O caminho que elas percorrem pelo oceano Atlântico forma um “S”. Mas por que as andorinhas viajam assim? Porque elas usam as correntes de ar para poupar energia.

  As andorinhas vivem mais ou menos 30 anos, e durante esse tempo elas podem viajar mais de 2,4 milhões de quilômetros. Isso é o mesmo que ir e voltar da lua umas três ou quatro vezes! Um pesquisador disse: “É incrível que um pássaro que pesa pouco mais de cem gramas consiga fazer isso.” Além disso, de acordo com o livro Vida na Terra: Uma História Natural, (Life on Earth: A Natural History) a andorinha-do-mar-ártica vê “a luz do dia mais do que qualquer outro animal”, isso porque ela sempre chega aos polos durante o verão.


                                O caminho que as andorinhas percorrem forma um “S”
                                                                  

domingo, 27 de novembro de 2016

O mergulhão-do-norte — uma ave que encanta


  O GEMIDO sinistro do mergulhão-do-norte é difícil de esquecer. Esse som pode ser ouvido em isolados lagos e rios no Canadá, Europa e norte dos Estados Unidos e descreve bem a solidão dessas regiões distantes.

  Essa bela ave aquática é um símbolo do Estado de Minnesota, EUA, e aparece na moeda de 1 dólar do Canadá. Ela é migratória e passa a maior parte do inverno em áreas costeiras mais ao sul. Por que o mergulhão-do-norte é um pássaro inesquecível?                                                                                                  

Um canto diferente


 Os mergulhões-do-norte produzem sons impressionantes. Seu gemido assustador pode ser ouvido a quilômetros de distância após o anoitecer. Além disso, tanto o macho como a fêmea produzem um som menos intenso para se comunicar entre si, com seus filhotes e com outros mergulhões no mesmo lago. Outro som, que é um tanto trêmulo e já foi chamado de “risada insana”, funciona como sinal de alerta e é o único emitido durante o voo.

 Existe outro tipo de vocalização feita apenas pelos machos, similar a um canto tirolês, que “parece estar relacionada à defesa de seu território”, comentou a revista BirdWatch Canada. “Cada macho executa esse canto de um modo próprio”, e “quanto mais pesado o pássaro, mais grave o som”. Além disso, quando “muda de território, o macho muda seu canto”, para que seja “o mais diferente possível do canto usado pelo macho que ocupava esse território antes dele”, disse a revista.
                                                                                                                                                                        
Belo, hábil e desajeitado


 O mergulhão-do-norte tem a cabeça bem escura, quase preta, com um tom verde iridescente. Seus olhos são vermelhos e seu bico preto é longo e pontiagudo. A plumagem de seu corpo muda de acordo com a estação.

 Com seus grandes pés palmados, esse mergulhão é um eficiente predador e um excelente nadador. Ele mergulha tão bem que pode descer a 60 metros de profundidade, às vezes ficando vários minutos submerso.

 Mas quando o assunto é decolar e aterrissar, o mergulhão-do-norte não é tão hábil assim. Por causa de seu peso, ele precisa de uma longa “pista de decolagem” para pegar impulso, batendo as asas e correndo sobre a água por centenas de metros até conseguir levantar voo. É por isso que ele prefere grandes corpos de água. Ao aterrissar, esse pássaro se aproxima da superfície em alta velocidade com as pernas estendidas para trás, como se seu “trem de pouso” tivesse falhado. Daí, aterrissa de barriga e segue deslizando até parar.

 Embora os pés palmados do mergulhão o ajudem a nadar bem, o tamanho grande e a localização deles muito atrás de seu corpo lhe dificultam andar — e até mesmo ficar em pé. Por essa razão, ele faz seu ninho bem próximo da água.

 O macho e a fêmea se revezam em chocar os ovos (geralmente dois), que são castanho-esverdeados camuflados com manchas pretas. Leva em média 29 dias para eclodirem. Depois de dois dias, os filhotes já conseguem nadar e dar alguns mergulhos curtos. Quando precisam descansar, eles pegam uma carona nas costas de um dos pais. Dois ou três meses depois, quando já sabem voar, eles deixam os pais.

 Os inimigos do mergulhão-do-norte incluem águias, gaivotas, guaxinins e — o pior de todos — os humanos. Pesos de chumbo usados por pescadores e derramamentos de óleo envenenam esse pássaro. A poluição química resultante de chuva ácida diminui as reservas de peixes, das quais o mergulhão depende para se alimentar. Ondas provocadas pela passagem de barcos alagam seus ninhos. E construções à beira de lagos afastam o solitário mergulhão para longe de seu local de reprodução.
  
 Apesar de tudo isso, a população dessa espécie ainda é numerosa. Assim, essa ave bela e elegante, com seu canto peculiar e seu jeito engraçado, continuará encantando os amantes das aves ainda por muitos anos.


CURIOSIDADES


  • Comprimento: Cerca de 1 metro da ponta do bico até os pés com as pernas estendidas para trás 
  • Envergadura: Até 1,40 metro 
  • Peso: Em média 4 quilos, mas pode chegar a pouco mais de 6 quilos 
  • Estrutura óssea: Vários ossos maciços (ao contrário dos ossos normalmente ocos de outras aves), que aumentam o peso, mas ajudam no mergulho 
  • Velocidade do voo: Cerca de 120 quilômetros por hora durante a migração 
  • Alimentação: De preferência peixes, mas também lagostins, rãs, sanguessugas, salamandras, camarões, caramujos e outros animais aquáticos

terça-feira, 21 de julho de 2015

O voo do albatroz-gigante




 AVES planadoras podem voar quase sem esforço. O albatroz-gigante é um exemplo notável disso. Com uma envergadura de 3,4 metros e pesando cerca de 8,5 quilos, essa ave pode voar milhares de quilômetros usando pouquíssima energia. O segredo está na sua anatomia e técnica de voo.

 Analise o seguinte: Durante o voo, o albatroz abre totalmente as asas, acionando um tendão especial que as mantém travadas, evitando assim qualquer esforço muscular adicional. Outro segredo que permite essa ave planar por horas seguidas é sua habilidade em aproveitar as correntes de ventos marítimos.

 Os albatrozes continuamente sobem, viram de lado e descem, formando arcos sobre o oceano — manobra que faz com que a ave não perca velocidade apesar da resistência do ar. Não faz muito tempo que os cientistas entenderam como ela consegue fazer isso. Usando rastreadores de alta resolução e softwares especiais, eles descobriram que os albatrozes conseguem a energia que precisam quando sobem voando contra o vento e, no ponto mais alto do arco, viram de lado e descem, aproveitando o vento. “O processo de extração de energia” é “suave e contínuo”, afirmam os cientistas. Qual o resultado? O albatroz pode planar horas a fio sem bater as asas uma vez sequer.

 Entender bem isso pode ajudar engenheiros a projetarem aeronaves que consumam menos combustível ou até mesmo usem propulsão sem motor.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Observando atetamente as aves



 AVES estão entre as criaturas mais fáceis de ser observadas e podem ser encontradas em todas as partes da Terra. Sua variedade de cores, hábitos, aparência e canto, bem como as coisas engraçadas que fazem, tornam a observação de aves um passatempo divertido e gratificante.

Tecelão-mascarado

 Até pela janela de sua cozinha, você pode observar os hábitos das aves: um sabiá ou um melro procurando minhocas, um bem-te-vi caçando insetos ao voar, uma rolinha tentando conquistar um parceiro, uma incansável andorinha construindo seu ninho ou um pintassilgo alimentando seus filhotes famintos.


Galinha-d’angola



 Algumas aves impressionam ao patrulhar o céu, como as águias, os falcões e os gaviões. Outras são divertidas: pardais disputando uma migalha, um pombo estufando o peito para chamar a atenção de uma pomba que se faz de desinteressada ou uma gaivota roubando o lanche de uma pessoa distraída. E algumas cenas emocionam, como o voo migratório de gansos, cegonhas e grous. Essas migrações têm sido observadas há centenas de anos e deixam seus observadores impressionados pela habilidade das aves de percorrer grandes distâncias com incrível precisão.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

As penas do pinguim-imperador



   
  O pinguim-imperador pode nadar e saltar numa plataforma de gelo numa velocidade impressionante.

  O pinguim-imperador captura o ar em suas penas. Isso não só o protege contra o frio, mas também faz com que ele nade duas ou três vezes mais rápido do que se não tivesse esse tipo de penas. Biólogos marinhos acreditam que isso acontece porque a ave libera minúsculas bolhas de ar retidas entre as penas. À medida que essas bolhas são liberadas, reduzem o atrito da plumagem do pinguim com a água, aumentando a velocidade dele.


 Engenheiros têm estudado formas de fazer navios mais rápidos por usar bolhas de ar para reduzir o atrito do casco com a água. Mas os cientistas reconhecem que é desafiador pesquisar isso mais a fundo porque “é difícil reproduzir a complexidade da plumagem do pinguim numa membrana ou malha artificial porosa"


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

De Olho na Vida Selvagem



    IMAGINE andar para lá e para cá com um transmissor de rádio — que permite que cada movimento seu seja acompanhado e analisado — preso nas costas. Uma fêmea de albatroz-gigante, chamada Sra. Gibson, sabe o que é isso. Satélites captam os sinais emitidos pelo seu minúsculo transmissor e os enviam para terra, permitindo que os pesquisadores a monitorem. Outras aves que levam equipamentos similares também são monitoradas. Os dados obtidos já revelaram fatos impressionantes sobre essas aves magníficas e espera-se que isso contribua para a preservação delas.


  Segundo divulgado pela Universidade La Trobe, de Victoria, Austrália, os pesquisadores descobriram que os albatrozes-gigantes voam em média mais de 300 quilômetros por dia; vez por outra podem voar quase 1.000 quilômetros num único dia. Essas aves podem medir, de uma ponta das asas à outra, quase 3,40 metros — a maior envergadura entre as aves atuais. Elas planam sobre o mar descrevendo uma série de arcos e cobrindo distâncias de mais de 30.000 quilômetros ao longo de vários meses. Estudos similares realizados nos Estados Unidos revelaram que um albatroz-de-laysan fez quatro viagens da ilha das Andorinhas, a noroeste de Honolulu, no Havaí, até as ilhas Aleutas, no Alasca, percorrendo bem mais de 6.000 quilômetros, ida e volta, a fim de buscar comida para o seu único filhote.

    Esses estudos de alta tecnologia revelaram também uma possível razão para o número de fêmeas de albatroz-gigante sofrer um decréscimo muito mais acentuado do que o de machos. Os padrões de vôo revelaram que os machos em idade reprodutiva tendem a pescar mais próximo à Antártida, ao passo que as fêmeas em geral se alimentam mais para o norte, em áreas onde operam navios de pesca de espinhel. As aves mergulham para pegar a isca atrás desses navios, são fisgadas e se afogam. Em alguns grupos em idade reprodutiva, há dois machos para cada fêmea. Outras espécies de albatroz também foram afetadas. De fato, em meados dos anos 90, cerca de 50.000 aves se afogavam por ano em águas da costa da Austrália e da Nova Zelândia por causa dos navios de pesca de espinhel, colocando várias espécies em perigo de extinção. O albatroz-gigante foi até mesmo declarado uma espécie ameaçada de extinção na Austrália. Devido às descobertas feitas, introduziram-se mudanças nas técnicas de pesca e reduziu-se a mortandade de albatrozes-gigantes. Mas a espécie ainda está em declínio em várias áreas de reprodução.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Comunicam-se Antes de Nascer

  Enquanto ainda estão na casca, alguns filhotes de aves anunciam sua chegada iminente. Soltam pipilantes trinados. Os filhotes de codorna fazem isso. Os pintinhos da galinha também. Depois de uma gansa ouvir os pipilos, ela “começa a comunicar-se com sua prole . . . Ela solta fracas chamadas de contato para os gansinhos dentro dos ovos, e estes últimos conseguem produzir várias chamadas diferentes, que indicam à mãe se eles se desenvolvem normalmente. Quando os filhotes produzem uma chamada triste, conhecida como ‘pipilo perdido’, a mãe responde com chamadas de contato como que para confortá-los, às quais os nascituros gansinhos às vezes respondem, por sua vez; com chamadas de cumprimentos.” Pouco antes de eclodirem os ovos dos gansinhos, o ganso macho toma uma posição junto ao ninho, possivelmente alertado por tais “papinhos”.

Por Que os Pés dos Pingüins não Ficam Congelados

  
 Ficam Constantemente sobre a neve ou sobre as banquisas de gelo, ou em águas geladas. Seus pés quase que se congelam, sem se congelarem efetivamente. Caso se bombeasse sangue quente neles, o sangue voltaria ao corpo resfriado. Dentro em pouco a perda de calor através dos pés seria tão grande que, não só os pés, mas todo o pinguim, ficaria congelado. Assim, engenhoso mecanismo de troca de calor equaciona o problema. As artérias que penetram nos pés são cercadas de veias que saem dos pés. Assim, o sangue frio que deixa os pés, por tais veias, recebe calor do sangue quente que desce pelas artérias. O sangue arterial assim resfriado é adequado para os pés, que possuem muitos tendões, mas poucos músculos — tendões frios podem funcionar adequadamente, ao passo que músculos resfriados não. Por meio desta engenhosa troca de calor, o corpo dos pinguins se mantém aquecido e seus pés não ficam congelados.

Audição Aguçada

   Muitos animais dispõem duma audição mais aguçada do que os humanos. À guisa de exemplo, a alta freqüência do assobio ultra-sônico pode ser ouvida por cães, mas não por pessoas. Cientistas da Universidade de Cornell, EUA, afirmam que as aves podem ouvir sons em distâncias muito maiores do que certa vez imaginávamos, talvez a centenas de quilômetros. Experiências demonstraram que os pombos-correios podem ouvir infra-sons. Trata-se de ondas sonoras que têm freqüência baixa demais para os humanos ouvirem, mas que percorrem milhares de quilômetros através da atmosfera. Imagina-se que tais sons talvez ajudem as aves a emigrar, ajudando-as a identificar caraterísticas da superfície, tais como ondas oceânicas que rebentam nas costas, ou ventos que sopram pelos picos montanhosos.

domingo, 13 de maio de 2012

Pingüins Perdem o Rumo


 De vez em quando um ou dois pinguins extraviados aparecem nas praias do sul do Brasil, sendo trazidos por fortes correntes. Em julho último, 81 pinguins deram a uma praia próxima de Florianópolis, Santa Catarina, e começaram de imediato a receber cuidados da parte de várias organizações de pessoas que gostam muito dos animais. Debilitados pela maratona de quase cinco mil quilômetros desde a Patagônia, seu habitat natural, muito sujos de óleo e portando vermes e sofrendo diarreias, receberam o melhor tratamento possível. Foram feitos arranjos de reconduzi-los para o alto-mar, assim que as correntes fossem favoráveis ao seu retorno ao lar.

Aves inteligentes


    Pesquisas recentes mostraram que “as aves surgiram como rivais de chimpanzés e golfinhos, na disputa pelo título de animal mais inteligente”, declara o jornal The Sunday Times, de Londres. Uma equipe da Universidade de Cambridge, Inglaterra, fez um buraco na lateral de um tubo transparente, montou-o em sentido horizontal em outro tubo, com o buraco virado para baixo, e colocou alimento dentro dele, perto do buraco. Os primatas tentaram empurrar o alimento, deixando-o cair dentro do buraco. Mas o tentilhão-pica-pau, usando um pauzinho, puxou o alimento para fora sem deixá-lo cair. Antes disso, pesquisadores da Universidade de Oxford, Inglaterra, haviam observado Betty, uma fêmea de corvo da Nova Caledônia, fazer ganchos de fio usado para amarrar plantas em jardins e adaptar o formato do gancho para uma atividade específica — algo que, segundo se sabe, os primatas nunca fizeram. Essas descobertas “contradizem a sabedoria aceita há anos”, de que só os primatas são capazes de fabricar ferramentas, comenta o The Times.


sábado, 12 de maio de 2012

Problemas com condores adolescentes


  O condor da Califórnia [Gym- nogyps californianus] — uma ave necrófaga gigante, quase extinta neste século — apresenta desafios especiais para os preservacionistas que tentam devolver à natureza condores criados em cativeiro. As aves, soltas quando adolescentes, estão “na fase exploratória em que querem experimentar tudo”, diz certa conservacionista citada na New Scientist. A falta de medo de humanos e de cabos de eletricidade custou a vida ou a liberdade de vários condores. Portanto, os conservacionistas inventaram novas táticas para criar os filhotes de condor. Dão pequenos choques na ave para ensiná-la a evitar cabos de eletricidade. Para que elas aprendam a ser ariscas, os criadores ficam fora da vista do condor, exceto quando ocasionalmente várias pessoas correm de repente em sua direção, capturam a ave e a seguram com as costas no chão. “Os condores odeiam isso”, comenta a New Scientist, e acabam aprendendo a evitar as pessoas. Até o presente, a idéia tem tido certa medida de êxito.

Comunicação entre as aves


  Algumas espécies de ave começam a se comunicar antes mesmo de nascer. Por exemplo, a codorniz bota até oito ovos, um por dia. Se todos os ovos se desenvolvessem no mesmo ritmo, eles eclodiriam durante um período de oito dias. A mãe teria então a difícil tarefa de cuidar dos filhotes ativos, de até uma semana de vida, e ao mesmo tempo chocar o ovo não eclodido. Mas, em vez disso, os oito filhotes saem dos ovos num período de seis horas. Como isso é possível? Um fator importante, dizem os pesquisadores, é que os embriões da codorniz se comunicam um com o outro de dentro dos ovos e, de alguma forma, “combinam” nascer quase que ao mesmo tempo.
  Quando as aves ficam adultas, em geral é o macho de cada espécie que canta. Ele faz isso especialmente na época do acasalamento para marcar seu território ou atrair a fêmea. Cada um dos milhares de espécies de ave tem seu próprio idioma, por assim dizer, e isso ajuda as fêmeas a identificar os machos de sua própria espécie.
  As aves cantam principalmente de manhã cedo e no final da tarde, e por um bom motivo. Há menos vento e menos barulho nessas horas. Os pesquisadores descobriram que de manhã cedo e no final da tarde o canto das aves pode ser ouvido até 20 vezes mais longe do que no meio do dia.
  Apesar de geralmente serem os machos que cantam, tanto machos quanto fêmeas emitem uma variedade de chamados, ou gritos, que têm significados diferentes. Por exemplo, os tentilhões têm um repertório de nove chamados. Eles emitem um tipo de chamado para avisar de uma ameaça vinda do ar — como, por exemplo, uma ave de rapina que está rondando —, mas emitem outro para avisar de uma ameaça que vem por terra.

domingo, 25 de setembro de 2011

Gatos e pássaros


Pesquisadores estimam que só em Wisconsin, EUA, os gatos domésticos matem mais de 19 milhões de pássaros por ano. Um estudo na Grã-Bretanha mostra que 5 milhões de gatos domésticos matam todo ano uns 20 milhões de pássaros. Num esforço de deter a matança de pássaros raros, as autoridades municipais de Sherbrooke Shire, na Austrália, ordenaram que os moradores mantivessem os bichinhos de estimação dentro de casa durante a noite, ficando sujeitos a uma multa de 100 dólares em caso de infração. Nos Estados Unidos, nascem uns 35.000 gatos por dia. Mas, como diz a revista National Wildlife, o “estudo realizado em Wisconsin constatou que 94 por cento dos donos de gatos queriam pássaros canoros em sua propriedade e 83 por cento queriam aves de caça; no entanto, apenas 42 por cento estavam dispostos a reduzir o número de gatos para beneficiar essas espécies selvagens”.

Ave descoberta após a destruição de seu habitat

Na Venezuela, quando a ilha Carrizal — ilhota deserta no rio Caroni — foi desmatada para a construção de uma represa, descobriu-se um novo espécime de ave, relatou The Daily Journal, de Caracas. Era um pequeno fringilídeo sarapintado de azul, que vivia nos densos bambuzais impenetráveis da ilhota. Ele foi encontrado entre os espécimes de aves recolhidos antes de se remover as árvores e o restante da vegetação. Naturalistas esperam encontrar mais espécimes dessa ave em outros habitats vizinhos. Mas nesse meio tempo, disse o pesquisador Robin Restall, “estamos felizes de ter descoberto o semente iro, mas frustrados de saber que destruímos o seu habitat, ou esconderijo, de longa data”.

Mergulho na neve!

Várias aves aproveitam a propriedade isolante da neve para se manterem aquecidas enquanto descansam durante o dia ou dormem à noite. Entre elas estão à galinha-do-mato, o galo-lira, o lagópode e pássaros como o pintarroxo, o pilro-chilreiro e o pardal. Se a camada de neve for alta e macia, algumas aves mergulham nela, como uma ave marinha mergulha na água. Essa estratégia engenhosa não deixa nenhum rastro para predadores verem ou farejarem.
Uma vez dentro da neve, as aves escavam um abrigo horizontal de até 90 centímetros de comprimento, chamado kieppi em finlandês. Durante a noite, ventos apagam da superfície da neve quaisquer sinais de vida debaixo dela. Quando pessoas saem para fazer uma caminhada e chegam bem perto de uma dessas tocas aviárias, o ruído das pisadas alerta as aves. A resultante explosão de neve e o bater frenético de asas, a apenas alguns passos de distância, podem dar um bom susto em qualquer pessoa que caminha por ali.

Dormem com um olho


Uma notícia no abertoToronto Star mencionou que os cientistas há muito sabem que as aves podem, de vez em quando, espiar com um olho enquanto dormem o que serve para protegê-las de predadores. Novas descobertas indicam que as aves podem decidir se querem dormir com todo o cérebro ou mantiver um hemisfério acordado para orientar o olho que fica espiando. Estudos com patos selvagens que dormiam enfileirados revelaram que os patos no fim da fila passavam um terço do período de sono com metade do cérebro. acordado. Os que estavam no meio da fila só passavam 12% do tempo meio acordados. Parece que “quando a situação é arriscada, as aves dormem com mais freqüência com apenas metade do cérebro”, diz o professor Niels Rattenborg, da Universidade Estadual de Indiana, EUA.

O pombo

O pombo é forte, voador veloz, capaz de atingir velocidades superiores a 80 km/h. Seu instinto de retornar à casa faz com que desde tempos remotos seja usado para levar mensagens. Diferente de navegadores humanos que precisam usar cronômetros e sextantes para determinar a sua posição, os pombos-correio sabem quase que instantaneamente — à base de sua sensibilidade ao campo magnético da terra e pela posição do sol — em que direção voar, mesmo se forem libertados em território estranho a centenas de quilômetros de seu ponto de origem. Eles levam automaticamente em conta a trajetória do sol no céu, de modo que seu ângulo de vôo não erra.
Tão comum quanto galinhas em muitas partes da terra, os pombos diferem das aves domésticas não apenas na sua habilidade de voar, mas também na sua estrutura e em serem monógamos. Diferente do galo, o fiel pombo ajuda a fêmea na construção do ninho e na incubação dos ovos. Os pombos diferem de todas as outras aves na sua forma distintiva de alimentar os filhotes com o “leite de pomba”, um líquido leitoso produzido no papo das aves. Os filhotes de pombos, chamados de borrachos, são comumente usados como alimento em muitos países.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O olho da águia


NA ESPANHA, na Alemanha, no Brasil e em outros países, diz-se que um homem de grande visão tem visão de águia ou é águia (vista de águila; Adlerauge). São expressões proverbiais com muito fundamento e que vêm de longa data. Há três mil anos.
Sobre o alcance da visão da águia, o livro The Guinness Book of Animal Records (Livro Guinness de Recordes de Animais) explica: “Em condições ideais, a águia-real (Áquila chrysaetos) consegue detectar os mínimos movimentos de um coelho a mais de dois quilômetros de distância.” Mas há quem creia que a águia enxergue mais longe ainda.
A acuidade visual da águia-real se deve em primeiro lugar aos dois olhos enormes que ocupam grande parte da cabeça. A obra Book of British Birds (Livro das Aves da Grã-Bretanha) observa que, ‘se os olhos da águia-real fossem maiores, seriam pesados demais e prejudicariam o vôo da ave’.
Em segundo lugar, a acuidade visual da águia se deve ao fato de o seu olho ter cerca de cinco vezes mais células fotorreceptores do que o olho humano — por volta de 1.000.000 de cones por milímetro quadrado, comparados com os 200.000 do olho humano. E como praticamente cada uma dessas células está conectada a um neurônio, o nervo ótico da águia, que transmite os estímulos do olho para o cérebro, contém o dobro de fibras do olho humano. Não é para menos que essas criaturas tenham uma percepção tão nítida das cores! E por último, há mais uma característica do olho da águia que supera em muito o olho humano. O olho das aves de rapina, assim como o de outras aves, é dotado de uma lente possante com capacidade para ajustar o foco rapidamente entre objetos a curta e a longa distância.
À luz do dia a visão da águia é imbatível, mas à noite não há como superar a visão da coruja — ave de rapina noturna dotada de olhos com numerosos bastonetes sensíveis à luz e um cristalino com superfície muito grande. É por isso que, à noite, a visão dela é 100 vezes melhor do que a dos humanos. Mas nas raras ocasiões em que há ausência completa de luz, a coruja passa a depender totalmente de sua audição aguçada para conseguir localizar a presa.

A Harpia em Ação

Visto que a harpia sempre conserva imponente distância entre ela e o observador, ela não revela com facilidade seus fascinantes segredos.
A harpia é um estudo solene em negro, cinza e branco. Imagine-a empoleirada, como uma estátua esculpida, no topo da mais alta árvore duma floresta. Elevando-se quase 1 metro, a fêmea adulta (um terço maior do que o macho) é a águia mais forte — e a maior — do mundo. Em tamanho e força bruta, é, na floresta pluvial equatorial, o inquestionável aka-granman, ou o “tirano das aves de rapina”, como os moradores da localidade respeitosamente a chamam.
Na verdade, a envergadura das asas da harpia é inferior à de aves de rapina que pairam nas alturas, como o condor. Mas o território da harpia oferece pouca oportunidade para ela pairar no ar; as manobras rápidas e alta velocidade são essenciais na densa floresta. E a harpia acha-se idealmente projetada para ser veloz. Batendo asas de modo forte e amplo, e planando brevemente do topo duma árvore para outro, rapidamente varre o dossel da floresta, ouvindo e observando os sinais duma presa.
Ali, sob um ramo de árvore, há uma preguiça! Acelerando rapidamente até atingir uns deslumbrantes 65-80 quilômetros horários, ela mergulha sobre sua vítima. Quando se acha a apenas alguns metros de distância da presa, a harpia vira de lado, arremessando plenamente suas garras. Agarra a preguiça, arrebata-a da árvore, e leva-a vitoriosamente — mostrando-se deveras “arrebatador”!
O súbito ataque aéreo, contudo, deixa o reino animal em polvorosa. Papagaios, porcos-espinhos arborícolas, gambás, cutias e coatis, todos somem dali — e com bons motivos. Todos eles estão incluídos no cardápio da harpia. Os mais tomados de pânico, porém, são os macacos. “Assim que os macacos avistam essa águia”, explica o Sr. Heyde, “eles soam o alarma. Berram no topo da voz, sabendo que se trata duma questão de vida ou morte. Tenho-os visto simplesmente deixar-se cair dos topos das árvores, como mangas maduras que caem no chão da floresta. Até mesmo os macacos cuatás-negros ficam terrivelmente assustados!”